18.3.13

Caros seguidores,


A partir de hoje vamos deixar de publicar os nossos artigos e notícias neste blog.

Podem continuar a acompanhar as nossas publicações no seguinte link:
http://www.espacopotencial.com/artigos/


Aproveitamos para agradecer a todos os que nos têm seguido,
fazendo votos de que assim continue.



Com os melhores cumprimentos,

A equipa do Espaço Potencial.





26.2.13

Qual a melhor receita contra as constipações?


Estamos no Inverno, as temperaturas baixam e estamos mais susceptíveis a ficarmos engripados. No entanto, algumas pessoas adoecem mais facilmente do que outras. Várias investigações têm sido feitas com o intuito de compreender melhor o que nos deixa mais vulneráveis ou protegidos das ditas gripes.

Ao que parece os pais adoecem menos. Um estudo que abrangeu 795 participantes liderado por Sheldon Cohen, director do Laboratório de estudos acerca do Stress, Imunidade e Doença da Universidade de Carnegie Mellon, sugere que as pessoas com idades superiores a 25 anos que têm filhos são mais resistentes às constipações. Os resultados verificaram-se vantajosos para os pais, independentemente do facto de viverem com os seus filhos ou não, o que põe de parte a possibilidade de terem desenvolvido uma maior imunidade ao estarem em contacto com os vírus trazidos para casa pelos filhos.

O estudo não esclarece a razão pela qual os pais mais velhos são menos susceptíveis às constipações; no entanto, os investigadores levantam a hipótese de que a parentalidade produz sentimentos de propósito para a vida e experiências emocionais positivas que ajudam a elevar as defesas do sistema imunitário. Os pais mais novos podem não beneficiar da mesma resistência por não estarem, ainda, psicologicamente e economicamente tão bem preparados para lidar com os seus filhos, podendo sentir uma maior insegurança e níveis de stress mais elevados no seu dia-a-dia.

O adoptar de um estilo de vida mais positivo pode ajudar a adoecer menos. Já há muito que a ciência reconhece e estuda a ligação entre o stress e o sistema imunitário, de facto, segundo Cohen as pessoas que sofrem de stress a longo prazo duplicam a probabilidade de ficarem constipadas relativamente às pessoas que relatam mais tranquilidade no dia-a-dia (consultar estudo).

Fisicamente, esta ligação entre o stress e o sistema imunitário dá-se a nível molecular,  nomeadamente pelas citocinas que consistem num extenso grupo molecular responsável pela estimulação do sistema imunitário em resposta à infecção. Os sintomas físicos das constipações não são causados directamente pelo vírus, mas pela resposta do sistema imunitário ao mesmo, o que inclui a libertação de citocinas. Estas moléculas combatem o vírus mas como efeitos secundários desta luta surgem os narizes entupidos e congestionados. Quando uma pessoa encontra-se cronicamente stressada produz níveis elevados de cortisol, hormona responsável pela regulação das citocinas. Os níveis elevados desta hormona induzem uma insensibilidade por parte do sistema imunitário ao cortisol, aumentando a produção de citocinas que, por sua vez, potenciam os sintomas físicos das constipações, que acabam por durar mais e ser mais intensas.

Com o passar dos anos, a relação entre a nossa mente e o nosso corpo tem se tornado, aos olhos da ciência, mais clara e de extrema importância. De facto, parece haver uma ligação muito próxima entre a mente e o sistema imunitário que influi na forma como adoecemos e como recuperamos de estados de fragilidade física.

É caso para sugerirmos que para evitar as constipações, ande agasalhado, alimente-se bem, faça exercício e, ao que parece, ter filhos após os 25 anos ajuda. Mas, não se esqueça: cuide da sua mente para que possa cuidar do seu corpo.

Carolina Justino

Fonte: APA

25.2.13

A escola mata a criatividade?


Hoje sugerimos que vejam a palestra publicada em Junho de 2006 pela TEDTalk, onde Ken Robinson, que liderou em 1998 o comité da educação cultural do governo britânico, nos faz pensar acerca de como estamos a liderar o ensino dos mais jovens. Robinson diz-nos: “Estamos a educar as pessoas fora da sua criatividade” e leva-nos a pensar sobre esta questão.

Uma palestra que abana as ideias pré-concebidas e que nos faz questionar: como podemos tornar a nossa diferença em algo que nos distingue? Temos todos que fazer exactamente o mesmo percurso académico? Qual o lugar da criatividade na nossa vida?


Carolina Justino

13.2.13

Ciúme: será que existem diferenças entre homens e mulheres?


Ana Maria Fernandez, psicóloga e investigadora chilena, levou a cabo um estudo que pretendia compreender as manifestações emocionais de ciúme, concluindo que existem diferenças significativas entre as da mulher e do homem. 

Através de excertos do filme «Closer» (ver trailer do filme aqui), nos quais surgem cenas que envolvem momentos de traição conjugal, a investigadora pretendeu induzir ciúmes nos participantes, a fim de compreender se existiam diferenças significativas entre homens e mulheres no modo como sentiam e viviam as cenas de traição.
Ana Maria Fernandez concluiu que, embora o ciúme sexual e o ciúme emocional existam em ambos os géneros sexuais, o homem apresenta maior tendência para manifestar um ciúme sexual e a mulher um ciúme emocional; ou seja, o homem pode sentir-se mais “enciumado” por sentimentos de agressividade e por desejo de manter a relação por uma questão de competição, enquanto a mulher pode sentir ciúme pois aproxima-se mais de sentimentos de dor e de tristeza da possível perda da relação com o outro. O ponto em comum, defende a psicóloga e investigadora, baseia-se no factor possessividade: quer mulheres como homens manifestam sentimentos de possessividade em relação ao outro.
De modo a compreender melhor esta dinâmica, a psicóloga reflecte sobre teorias da área da Psicologia Evolutiva e conclui que estas diferenças entre géneros podem justificar-se pelo facto de que as fêmeas sempre possuíram a certeza de que os filhos seriam delas; porém, os machos sempre tiveram dúvidas sobre o mesmo aspecto (se o filho seria seu ou não) e tal poderá ser a origem da diferença do ciúme. Acima de tudo, as mulheres temiam a perda do vínculo emocional com o parceiro e, assim, a sua ajuda na educação do filho; por outro lado, o homem temia estar a criar um filho que não era seu e que não tinha como provar.
Apesar de existirem diferenças, a verdade é que o ciúme é real e faz parte do glossário de muitas relações. Consideramos importante que cada um de nós reflicta sobre o modo como sente e vive o ciúme, como o manifesta na relação com o outro e como poderá melhorar esta gestão interna, se assim for o caso.

Andreia Cavaca

Fonte: Ciência Hoje 

11.2.13

Como lidar com as birras dos seus filhos?


Ser pai, educar uma criança, acompanhá-la diariamente ao longo das várias etapas, vê-la crescer é, sem dúvida, gratificante; no entanto, trata-se, por vezes, de uma tarefa árdua e extenuante. As crianças, surpreendem-nos e emocionam-nos mas também testam os nossos limites. Surge a teimosia, o bater o pé, quer seja à hora da refeição, porque não querem comer a sopa ou os vegetais, ou quando têm de arrumar o quarto e não o fazem, ou porque lhes é pedido que se comportem bem na visita semanal a casa dos avós e isso não acontece. 

Como lidam os pais com os desafios constantes? Uma das formas mais comuns passa pela atribuição de recompensas ou “subornos”, para que seja obtido o comportamento desejado; recompensas estas que podem passar pelo aumento de minutos passados no computador, pela permissão para comer guloseimas quando não é suposto ou até por um dinheiro extra na semanada.

Mas que consequências terão estes métodos persuasivos? A literatura diz-nos que o acto de recompensar não só não funciona a longo prazo como pode ter um efeito negativo para as crianças. Após quatro décadas de investigação, os investigadores chegaram à conclusão que ao serem dadas recompensas externas, as crianças perdem o interesse na tarefa em si, sendo que apenas cumprem a tarefa para alcançar a recompensa e quando não a têm, simplesmente não realizam a tarefa.

No entanto, falar é fácil; recompensar ao que parece é negativo mas a verdade é que a curto prazo funciona e é uma técnica utilizada vulgarmente pelos pais.  Será possível fazer diferente? Como?

Segundo Dr. Deci, professor de psicologia da universidade de Rochester, a atribuição de recompensas funciona, pelo menos, a curto prazo, sendo este o seu maior problema. Porém, a eficácia desta técnica só se concretizará a longo prazo, se os pais tiverem dispostos a recompensar os seus filhos eternamente. Surge então a questão: se aos 5 anos um gelado cumpre a função, o que será necessário dar aos 20 e aos 30 anos?

Dr. Deci sugere uma alternativa que passa por três passos. Primeiro, explicar à criança a importância da tarefa que está a ser exigida. Segundo, mostrar interesse no seu ponto de vista, se for uma tarefa que a criança não gosta de fazer, reconhecer que não é algo divertido mas que necessita de ser feito e voltar a reforçar o porque. Finalmente, comunicar não significa controlar e, por tal, é importante tentar evitar o uso de palavras como “deves”, “tens que”, que passam a mensagem “tens de fazer porque eu sou adulto e porque te estou a dizer que o faças”.

No que toca a educação, se procurarmos encontramos mil e uma recomendações; no entanto, dificilmente na prática os acontecimentos decorrem by the book. Parece-nos importante manter alguma coerência no ditar das regras e, sobretudo, proporcionar às crianças, através dos pequenos desafios do dia-a-dia, a ideia que é necessário lidar com a realidade que nos apresenta aspectos positivos mas também aspectos desafiantes e menos agradáveis.

Por exemplo, no que toca alimentação, o facto da criança manter no prato os vegetais que não quer comer, em vez de empurrá-los para o prato dos pais, pode ser uma forma de, desde pequeno, aceitar que apesar de poder comer o bife de que tanto gosta, tem de aceitar a presença das ditas "coisas verdes", que hoje não gosta mas que pode vir a gostar no futuro.

Pois, afinal e apesar da relação pais – filhos ir mudando com o passar do tempo, a autoridade tem de ser representada pelos pais, sem necessariamente ser imposta. Para criarmos uma estrutura temos que começar pelo princípio e, nesse sentido, apesar de poder ser difícil dizer que não e impor regras, esta é uma das principais funções do ser pai e uma das regras de ouro para que as crianças se possam tornar adultos capazes de lidar com os desafios e contratempos da vida.

Carolina Justino

8.2.13

O que podemos nós aprender com o medo?

Como descrevemos na nossa publicação desta semana sobre Medos e Fobias: "o medo é uma emoção natural que funciona como um aliado, pois sempre que nos encontramos perante um perigo, o medo surge e funciona como alerta, acabando por nos proteger".

No entanto, por vezes, quando pensamos em medo tendemos a pensar em algo negativo, algo que nos pode limitar e que nos pode impedir de progredir. Quando assim acontece podemos ficar bloqueados e paralisados, e em vez de nos protegermos sentimo-nos limitados e estagnados.

Como podemos lidar com os nossos medos?

A romancista Karen Thompson propõe-nos que pensemos o medo como algo criativo, muito à luz da infância e dos romances onde as dificuldades levam os protagonistas a imaginar, criar alternativas, futuros possíveis que permitam ultrapassar as dificuldades.

Numa altura em que vivemos imersos por receios e dificuldades muito relacionadas com o futuro, esta palestra vem dizer-nos que há sempre diferentes maneiras de encarar o que nos limita e que podemos, de facto, determinar o rumo da nossa própria história, transformando um obstáculo em algo que nos permite evoluir e progredir.



Carolina Justino

6.2.13

Obesidade: estigma social


Um estudo publicado na revista Basic and Applied Social Psychology revela que conotar uma pessoa obesa de “viciada em comida” poderá intensificar o estigma social inerente à obesidade. Este estudo reflecte que, por outro lado, se o “viciado em comida” não for uma pessoa obesa, pode suscitar maior compreensão pelos outros, em comparação com outros tipos de vícios. 

Os investigadores da Universidade de Yale que levaram a cabo este estudo procuraram compreender a extensão na qual o vício em comida é socialmente estigmatizado, concluindo que as pessoas obesas descritas como viciadas em alimentos suscitaram mais sentimentos de irritação, raiva e nojo nos participantes do estudo, comparativamente ao vício em comida nas pessoas magras.  Tal poderá ser justificado pelo preconceito social de olhar a obesidade como uma falha pessoal, desleixo e indisciplina face à alimentação.

Relembramos, aqui, o nosso artigo no qual reflectimos sobre o lado psicológico da obesidade.

Andreia Cavaca

4.2.13

Medos e Fobias


O medo é uma emoção natural que funciona como um aliado, pois sempre que nos encontramos perante um perigo, o medo surge e funciona como alerta, acabando por nos proteger. Se assim não fosse, todos os dias estaríamos expostos a um rol infinito de perigos, sem nos apercebermos. Apesar desta emoção ser natural e essencial para o nosso bem-estar, torna-se preocupante quando é sentida em excesso, sem razão aparente, levando ao sofrimento. Então, aqui falamos de medo patológico ou fobias.


A fobia surge como uma espécie de medo acentuado, caracterizado como excessivo e que pode ocorrer na presença ou na previsão do encontro com um objecto ou uma situação potenciadora de ansiedade. O que também pode definir a fobia é o seu carácter ilógico, ou seja, a inexistência de uma razão concreta ou objectiva. Naturalmente, o medo é provocado por uma situação perigosa ou pela aproximação de um objecto ameaçador. No caso do medo patológico e da fobia, quer a situação como o objecto podem não ser nem perigosos nem ameaçadores; bem como podem nem sequer estar próximos, que a sensação de medo é accionada. Muitas vezes, aqueles que sofrem de medo patológico ou fobias têm noção de que estas sensações são infundadas mas pouco conseguem fazer para as controlar. Esta noção lógica do ilógico conduz, muitas vezes, a quadros de grande sofrimento e vergonha.

Como identificar, mais concretamente, a presença de um medo patológico ou de uma fobia? São inúmeros os sintomas que surgem, quer na mente como no corpo. De forma resumida, são todas as sensações despoletadas por uma situação de perigo ou ameaça, mas levadas ao extremo. Assim, é frequente que a pessoa manifeste:
- constante preocupação;
- cansaço extremo;
- incapacidade de manter a concentração;
- sensação de irritação e nervosismo;
- dificuldade de sono.

Concomitantemente, a pessoa sente reacções físicas, também elas naturais da exposição a uma situação de perigo. No caso da fobia, são sensações muito frequentes e que se manifestam no corpo através de:
- arritmias cardíacas;
- suor constante;
- dores musculares;
- tensão muscular;
- respiração ofegante;
- tonturas;
- sensação de desmaio;
- indigestão e diarreias.

Quando se deve procurar ajuda? Muitas vezes, é difícil admitir que se tem um problema; vamos adiando e adiando na expectativa de que um dia tudo se resolva. Porém, quando nos apercebemos que o nosso problema começa a tornar a nossa vida mais limitada, quando as nossas dificuldades começam a interferir com todas as áreas da nossa vida, quando nos sentimos a carregar um peso enorme nas costas, um sofrimento e uma angústia inexplicáveis; então, está mais que na altura. Não hesite em procurar ajuda especializada!

Andreia Cavaca

28.1.13

Portugueses deprimidos: mais do mesmo?


O ionline revelou na semana passada os dados reunidos pela IMS Health acerca do consumo de antidepressivos em Portugal. Segundo a consultora internacional, os portugueses compraram, em média, 20 500 embalagens de antidepressivos por dia, ao longo do ano de 2012, o que significa um aumento de 7,6% nas vendas.

Torna-se quase imediata a associação entre o ano de 2012 e o agravamento da situação económica em Portugal; no entanto, os números têm vindo a aumentar de ano para ano. Em Outubro de 2010, o Público lançava a notícia: "Os Portugueses são os maiores consumidores de antidepressivos da União Europeia" , ou seja, estes dados vêm confirmar uma realidade que não é de agora, que cresce de ano para ano e que é do conhecimento público.

Em Setembro de 2012, debruçamo-nos sobre esta mesma questão através de uma publicação no nosso blog:

“Deparamo-nos com uma espiral descendente, uma economia deprimida num país de pessoas deprimidas, o que forçosamente tem efeitos no nosso nível de produtividade. Haverá luz ao final do túnel? Como poderemos inverter esta tendência?

Parece ser importante ir à raiz do problema, os dados acerca da saúde mental em Portugal são preocupantes e os psicotrópicos apenas actuam como remendos, uma solução "faz de conta". Começa a estar na altura de pararmos para pensar em estratégias mais eficazes e mais focadas no indivíduo, que promovam a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar psicológico, reflectindo assim uma capacidade mais activa, construtiva e produtiva para lidar com os obstáculos a nível pessoal e, consequentemente, a nível profissional. 

Uma das formas de ir ao encontro deste objectivo poderá ser através de um apoio psicoterapêutico. Infelizmente, no nosso pais, em comparação com outros países da Europa, a oferta deste serviço ao nível do Sistema Nacional de Saúde é escassa. Torna-se então pertinente pensarmos acerca da importância de um aumento do apoio psicológico, assim como uma sensibilização acerca dos benefícios do mesmo, pois apesar de acarretar custos e respostas a longo prazo, permitem ao indivíduo alcançar mudanças a nível psicológico consolidadas e mais duradouras.”

Porém, o tempo passa, pouco muda e a situação inicial agrava-se. Até quando vamos continuar a “fingir” que está tudo bem?

Carolina Justino

23.1.13

Virtual vs Real: dois pesos, duas medidas


Ao ler o testemunho desta mãe, no jornal Público, foram várias as reflexões que nos surgiram. No fundo, a utilização das novas tecnologias tem sido um tema ao qual nos temos dedicado e proposto reflectir. Sabemos as mais-valias que elas nos trouxeram; se assim não fosse, não estaríamos aqui hoje a partilhar convosco as nossas opiniões. Mas sabemos, também, que quando mal utilizadas, as novas tecnologias podem acarretar consequências menos boas para a nossa vida.

Nas palavras desta mãe, é relatada a experiência do filho que, aos poucos, foi deixando a sua vida em prol de um jogo on-line. Começa com alguns sinais, parafraseando a mãe: «ele ia estudando, mas sempre com o computador aberto ao lado e, de vez em quando, lá ia mexendo nas teclas». Uma mãe atenta, que foi percebendo que aos poucos o filho dedicava-se e investia mais tempo do seu quotidiano no jogo, na internet, no computador do que nas actividades ditas “normais” de um jovem. 

Afinal, será que a vida como nós a conhecemos, feita de experiências pessoais e vividas no mundo real, começa a perder terreno para uma vida feita e construída on-line? Onde se impõe a barreira entre o uso saudável das novas tecnologias e o abuso das mesmas? Em determinado momento, a mãe relata que o filho empenhava-se de tal modo na participação no jogo, ao ponto de verbalizar: «espera aí um bocadinho que eu não posso morrer». Não estaria este jovem a comprometer a sua vida, em prol de “não morrer” num jogo? Deixar de participar nos momentos familiares e de frequentar a escola, prejudicar o sono e a alimentação, não serão também indícios de que se “morre”, mas na vida real?

Tudo isto nos faz questionar: que jogos são estes, que se tornam tão aliciantes ao ponto de substituírem uma vida real? Porque parece ser, às vezes, mais fácil empenharmo-nos e dedicarmo-nos a ultrapassar obstáculos no mundo virtual, quando há um dia-a-dia real para plantar sementes e colher frutos? Que investimento é este na vida on-line que apaga a dedicação na vida real?

Um testemunho duro, que vale a pena ler. Pois como este jovem, muitos outros podem encontrar-se na mesma situação. Porque como esta mãe, muitas outras podem debater-se com as mesmas questões.

Andreia Cavaca

16.1.13

Qual o peso do Facebook no nosso dia-a-dia?


O Facebook tornou-se parte integrante das nossas vidas, caindo no erro de generalizar mas generalizando, abrir a página de Facebook tornou-se um hábito enraizado no nosso dia-a-dia. Recentemente, o Facebook passou a fazer-nos perguntas: “como te sentes?”, “como estás?” e até “como está tudo?”, adquirindo uma dimensão mais pessoal e mais próxima dos seus utilizadores como se, de facto, de um amigo se tratasse.

Um grupo de cientistas pertencentes ao Departamento de Psicologia da Universidade de Berlim decidiu perceber o que leva as pessoas a actualizarem constantemente o seu estado no Facebook. A comunicação através desta rede social têm-se tornado cada vez mais popular, o que levantou a curiosidade científica acerca do porquê.

Fenne Große Deters e seus colegas, reuniram um grupo de cem estudantes universitários (todos utilizadores do Facebook) pertencentes à Universidade do Arizona. Inicialmente foram medidos, através de questionários, os níveis de felicidade, depressão e solidão, assim como foi concedida a permissão aos investigadores para acederem aos seus perfis pessoais. A um grupo foi pedido que usassem a rede social como habitualmente, e ao outro grupo foi solicitado que publicassem mais do que o habitual. No final de cada dia, os participantes respondiam a um breve questionário online acerca do seu estado de humor e do nível de interacção social.

Os investigadores concluíram que os participantes que fizeram mais publicações do que o habitual, sentiram-se menos sozinhos ao longo dos sete dias, independentemente se tivessem feedback (gostos ou comentários) ou não. O foco não parece estar tanto na resposta e interacção por parte dos outros mas, possivelmente, no facto de se sentirem mais conectados por participarem mais activamente através das actualizações de estado.

Este estudo leva-nos a pensar: que papel têm as redes sociais nas nossas vidas? Estaremos de alguma forma a tentar compensar a falta de interacção social presencial pela interacção social virtual? Será que o número de publicações, actualizações de estado, vídeos e fotografias partilhadas apaga ou diminuí o sentimento de solidão? 

Porque, no final das contas, estamos em frente a um computador, entre quatro paredes ou não, mas quando a luz se apaga, não podemos negar, continuamos de facto sozinhos.

Carolina Justino

14.1.13

Video de apresentação do Espaço Potencial

Com o intuito de tornarmo-nos mais próximos de quem nos segue, deixamos aqui um pequeno video de apresentação do Espaço Potencial.

A Equipa


Video realizado por Tiago Euzébio

7.1.13

Daqui a dez anos, como serei eu?

Muitas vezes, ao longo da vida, paramos para pensar: como estará a minha vida daqui a dez anos? Como serei enquanto pessoa? O que estarei a fazer?

Um estudo recente indica que, apesar de reconhecermos a mudança que ocorre com o tempo, existe a tendência para acreditarmos que daqui a dez anos seremos a mesma pessoa que somos hoje. Os investigadores afirmam que, independentemente da idade, tendemos a agir como se a nossa história pessoal tivesse terminado, não havendo espaço para nos imaginarmos a evoluir e a mudar – como se o tempo nos tivesse parado. No entanto, este estudo publicado na revista Science vem tentar compreender esta vivência (que parece querer-se subtil) da mudança interna ao longo do tempo. 

Através da análise de questionários de cerca de 19 000 participantes, os investigadores compararam as respostas do futuro (como se imagina daqui a dez anos?) com as respostas sobre o passado (como era há dez anos atrás?), percebendo que quanto mais avançavam as idades, maior eram os reparos às mudanças na última década; e que quanto mais novos eram os participantes, menores as expectativas de mudança no futuro. Esta análise de dados levou a que os pesquisadores concluíssem que até somos bons a analisar e a reconhecer as mudanças no nosso passado, mas que somos terríveis a pensar e a imaginar as mudanças no futuro.

Os investigadores tentaram compreender este fenómeno e apontam duas possíveis causas: uma prende-se com o facto de podermos achar reconfortante acreditar que nos conhecemos e que, desta forma, o futuro poderá tornar-se mais previsível e o presente mais permanente; outra causa relaciona-se com a maior dificuldade em imaginar o futuro, parecendo ser mais fácil lembrar o passado.

Os investigadores alertam, também, para o facto de que não compreendermos determinados aspectos do nosso modo de estar pode conduzir-nos à crença de que não será possível mudá-los ou melhorá-los no futuro. Esta crença errônea pode ter consequências menos positivas nas nossas escolhas de vida, de casamentos, de famílias, de carreiras, de viagens, etc… tendencialmente, fazemos as nossas escolhas baseando-nos no facto de que, daqui a dez ou mais anos, estaremos e seremos iguais e que, por isso, iremos continuar a gostar das mesmas pessoas e das diferentes actividades que escolhemos fazer hoje. É necessário termos a consciência de que o passar do tempo poderá levar-nos a mudanças internas. Neste sentido, o estudo indica que quanto mais velhos somos, menos propensos à mudança nos tornamos mas mais conscientes ficamos. Este nível de consciência permite-nos optar e tomar decisões de modo mais ponderado. E embora o ditado popular nos alerte que “burro velho não aprende novas línguas”, os investigadores apontam que, enquanto velhos, ainda podemos pensar mudar-nos no futuro, pois, pelos vistos, estamos sempre a mudar e é possível, quando formos velhos, mudarmos mais do que alguma vez podemos pensar.

Neste início de novo ano, desafiamo-lo a pensar: como será a sua vida daqui a dez anos? Quais as mudanças que terá na sua vida? Acreditar em si mesmo poderá revelar o seu potencial; o futuro reserva muitas surpresas e a mudança é uma constante na nossa vida. Se é para mudar para melhor, então porque não?

Andreia Cavaca

Fonte: Ciência On-Line

3.1.13

Acabou a época festiva: como voltar à rotina?


Vivemos o Natal e, seguidamente demos as boas vindas a 2013. No entanto, a época festiva que nos faz reunir com a família e com os amigos terminou. Chegou a altura de voltar ao trabalho e à rotina do dia-a-dia. E, de facto, fazêmo-lo todos os anos, com mais ou menos preguiça, resistência ou nostalgia.

Se para nós, adultos, retomar o ritmo habitual pode ser um pouco difícil, o regresso à rotina diária pode tornar-se mais desafiante e incompreensível para as crianças. 

Durante meses viveram com grande antecipação a chegada da tão adorada época, imaginaram os presentes que poderiam receber, as refeições elaboradas, as brincadeiras em família e a quebra, por alguns dias, dos horários e das regras. 

Pode surgir a questão: porque não podemos estar de férias o ano todo? 
É importante relembrar às crianças que as épocas festivas voltarão a acontecer ano após ano e que só são tão especiais porque não acontecem sempre. Mas, é também importante permitir que as crianças experienciem estes sentimentos, que se sintam tristes e que possam aprender a lidar com a desilusão e com a frustração, só assim se poderão tornar mais resilientes.
De uma forma mais prática, os pais podem ajudar as crianças a lidar com estes sentimentos mostrando-lhes o calendário onde se pode assinalar as épocas festivas que ocorrerão ao longo do ano, transmitindo-lhes o conhecimento, a capacidade de gerirem as expectativas e, sobretudo, a certeza de que os tão desejados momentos de festa voltarão a acontecer.
Enquanto que algumas crianças acabam por aceitar bem a retoma da rotina, outras podem manifestar birras e alguma resistência em acatar as instruções dos pais, o que pode revelar sentimentos de perda e de desamparo. 

Como podem reagir os pais? Reconhecer, validar o que a criança está a sentir procurando proporcionar o apoio necessário. Permitir alguma flexibilidade nos horários, por exemplo, que a criança fique acordada mais 15 minutos para que possa estar com a família. A proximidade familiar é mais notória na altura das férias, mas nada nos diz que não possa ser fomentada ao longo do ano. Introduzir na rotina noites de convívio familiar, como a “noite da pizza” ou “noite dos jogos” à sexta-feira, ou seja, pequenos simples momentos mas que reforçam a união e o sentimento familiar podem ser importantes marcos e contribuições para a estabilidade das suas crianças.
As crianças tendem a pensar de uma forma concreta e literal, pondo por vezes a tónica no tudo ou nada, mas o papel de educador passa por fomentar flexibilidade para que as crianças possam gradualmente lidar de forma construtiva com os obstáculos que forem surgindo ao longo da vida e que, mais tarde ou mais cedo, os pais deixam de conseguir controlar. É importante que percebam que na vida nem tudo é uma questão de preto e branco, mas sim que existe uma enorme variedade de sombras e degradés pelo meio.


Carolina Justino


Fonte: Today Moms

28.12.12

Top 5 das publicações Espaço Potencial 2012


Por estarmos a terminar o ano de 2012, deixamo-vos uma revisão das nossas publicações mais visualizadas ao longo do ano.
Eis o Top 5 das publicações do Espaço Potencial!
"Qualquer pessoa, em qualquer momento da sua vida, pode experimentar sentimentos de tristeza, frustração, perda e mesmo de desespero; sentimentos intimamente ligados à depressão. Mas, seria uma generalização bastante perigosa afirmar-se que por experienciar-se estes sentimentos, sofre-se de uma depressão.
O que é, afinal, a depressão e como ela se distingue da tristeza que, ocasionalmente, sentimos?”
"No meio académico, é natural encontrarem-se alunos que afirmam estudar durante a noite, fazendo as famosas “directas”. Que nos dizem os estudos sobre este padrão? Vários especialistas na área da saúde afirmam que a privação de sono, ao longo do percurso académico, pode desencadear alguns problemas de saúde, não existindo grandes vantagens, a curto, médio e longo prazo, na manutenção deste método de estudo.”
"Antes de um exame médico ou de uma prova académica, é natural que nos sintamos ansiosos ou nervosos, com algumas sensações físicas desagradáveis; trata-se de uma reacção biológica normal a um momento sentido como perigoso. Esta ansiedade normal pode tornar-se patológica e ser encarada como um problema do foro psicológico quando evada ao extremo. Porquê e como se expressa a problemática de ansiedade generalizada?”
"Apesar de ser fundamental esta identidade própria do casal, é importante que cada elemento se sinta autónomo e que tenha espaço, dentro da nova dinâmica familiar, para manter a sua identidade, operacionalizando-se a fórmula 1+1=3: eu, tu e nós.”
"Educar é, acima de tudo, amar. E amar é, também, a capacidade de impor limites. E porquê? Os limites servem para a criança compreender que nem sempre vai conseguir ter ou fazer o que deseja, desenvolvendo e amadurecendo a capacidade de tolerância à frustração. Esta capacidade é essencial para, enquanto adulto, enfrentar os desafios da vida quotidiana.”
Aproveitamos também para agradecer a todos os que nos acompanham e que partilham as nossas publicações,
A Equipa